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A Terra da Rainha
Residente no Reino Unido desde 2001, a autora Isabel Mateus prossegue a sua produção literária com a obra A Terra da Rainha – Retratos Portugueses no Reino Unido, cuja temática incide de novo na diáspora portuguesa.

Mas desta vez o livro de Isabel Mateus põe sobretudo em destaque dois retratos portugueses naquele país: o da emigração tradicional e o da mobilidade ou “nova vaga de emigração”. O primeiro trata do grupo com menos qualificações e o segundo refere-se aos graduados ou “fuga de cérebros”, recaindo as reflexões em ambos os casos nas motivações da saída dos portugueses da pátria e nos seus percursos traçados na terra estrangeira.

Deste modo, ao longo do livro e no referente aos que têm poucas qualificações, identificam-se situações, colocam-se questões e surgem problemáticas que levam o narrador a fazer uma analogia entre os problemas de agora e da emigração de então abordada no livro precedente da mesma autora: A Terra do Chiculate – Relatos da Emigração Portuguesa. A saída da pátria à procura de qualquer trabalho e “por uma vida melhor” a nível económico, as dificuldades de adaptabilidade ao país de acolhimento causadas nomeadamente pela barreira linguística enfrentada quer pelas crianças e jovens, quer pelos pais e familiares e o aspeto da identidade são fatores que contemplam as vidas daqueles que não puderam optar e partiram à aventura. No final da década de 90 foram muitos os que se instalaram em várias partes do Reino Unido, para além do renomado “Little Portugal” situado em Londres, Lambeth.

Durante a última década a afluência de graduados a abandonarem o país também foi grande, devendo-se o surto sobretudo à possibilidade de trabalho qualificado nas suas áreas, de melhores perspetivas de estudo e de desenvolvimento em domínios específicos do saber e de futuras oportunidades de empregabilidade. Contudo, deste pano de fundo também sobressaem os licenciados para os quais o diploma não tem a devida serventia, ficando igualmente destinados a empregos pouco qualificados.

Em suma, através da sua prosa direta e objetiva e das suas poesias ritmadas, assertivas e mesmo incisivas A Terra da Rainha revela facetas da atualidade migratória portuguesa num confronto constante, próximo e continuado entre Portugal e o Reino Unido. Daí resultam interrogações sob a forma de anseios, surgem dúvidas, que se colocam pela primeira vez ao passo que se vai perdendo a conta dos anos passados no estrangeiro, e criam-se pontes por entre o vaivém de um pluralismo linguístico e cultural.

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